Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
«Não viu nem ouviu nem soube que o seu único epitáfio foi uma carta do bispo de Hiva Oa aos seus superiores, que, com o correr dos anos, já famoso, louvado e estudado Koke e disputados os seus quadros por coleccionadores e museus no mundo inteiro, todos os seus biógrafos citariam como símbolo de quão injusta é por vezes a sorte com os artistas que sonham encontrar o paraíso neste terreno vale de lágrimas: “A única coisa digna de registo ultimamente nesta ilha foi a morte súbita de um indivíduo chamado Paul Gauguin, um artista reputado mas inimigo de Deus e de tudo quanto é decente nesta terra.»
Mario Vargas Llosa, O paraíso na outra esquina
(Fonte: fascinationstreet-sp)
Queria gritar.
Queria que ele voltasse.»
(Fonte: fascinationstreet-sp)
«Conseguem imaginar a velhice? É claro que não. Eu não conseguia. Não era capaz. Não fazia a mínima ideia de como era. Não tinha sequer uma falsa ideia - não tinha imagem nenhuma. E ninguém quer outra coisa qualquer. Ninguém quer enfrentar nada disto antes de não ter outro remédio. Como vai ser? O embotamento é de rigueur.
Compreensivelmente, é inimaginável qualquer fase da vida mais adiantada do que a nossa. Às vezes já vamos a meio da fase seguinte antes de nos darmos conta de que entrámos nela. E então fases anteriores de progresso têm as suas compensações. Mas mesmo assim o meio é assustador para muita gente. E o fim? É, de modo muito interessante, a primeira vez na vida em que nos encontramos inteiramente do lado de fora ao mesmo tempo que estamos nele. Observando durante todo esse tempo a nossa decadência (se temos tanta sorte como eu), encontramo-nos, graças à nossa constante vitalidade, a uma distância considerável da nossa decadência - sentimo-nos até alegremente independentes dela. Inevitavelmente, sim, inevitavelmente há uma multiplicação dos sinais que conduzem à desagradável conclusão, e no entanto, apesar disso, mantemo-nos de fora. E a ferocidade da objectividade é brutal.»
Philip Roth, O animal moribundo
(Fonte: fascinationstreet-sp)








